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12 Abr 2024

Centro-Sul fecha safra 2023/2024 com recorde histórico na produção de cana-de-açúcar e alta de 19%

12 Abr 2024

Inflação argentina fica em 11% em março, e chega a 287,9% em 12 meses

12 Abr 2024

Setor de energia nuclear contesta dados de relatório do TCU que apontam alta na conta de luz com Angra 3


Corte determinou que governo considere custos ao consumidor quando decidir sobre contratação da usina. Setor diz que números que basearam decisão do TCU são 'preliminares'. Imagem de obras em Angra 3 em 2023 Eletronuclear O setor de energia nuclear contesta números de um relatório Tribunal de Contas da União (TCU) da última quarta-feira (10), que indicam aumento na tarifa de energia com a eventual entrada em operação da usina nuclear de Angra 3. A Eletronuclear, estatal responsável pela operação e construção da usina, afirmou que os dados citados no parecer são preliminares. A estimativa de custo ao consumidor consta em estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de informações preliminares prestadas ao governo. "Somente após a conclusão de estudos independentes, realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é que a EPE poderá exercer seu ofício e dimensionar os impactos do empreendimento de Angra 3 no sistema elétrico nacional", diz a Eletronuclear em nota. A empresa cita ainda mudanças legislativas que podem reduzir o valor ao consumidor, como a reforma tributária e um regime especial para o setor nuclear. "Isso tudo considerado no cenário tarifário, certamente o preço da energia elétrica produzida por Angra 3 será competitivo para uma fonte termelétrica limpa, não poluente (não produzindo gases de efeito estufa), segura, firme, constante e de base", diz a estatal. Também em nota, a EPE afirmou que não recebeu os estudos de preço contratados pela Eletronuclear e pelo BNDES para fazer a projeção de custo ao consumidor. Dessa forma, o estudo da EPE utilizado pelo TCU se baseou em dados preliminares. "A EPE ressalta que o Informe Técnico foi elaborado como um documento preparatório destinado ao Ministério de Minas e Energia (MME), e, portanto, foi classificado como sigiloso no momento de seu cadastro no sistema do TCU", disse a estatal de planejamento. A Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan) também contesta o custo de R$ 43 bilhões citado pelo TCU. Segundo o presidente da Abdan, Celso Cunha, a projeção de 2,9% de aumento foi alcançada na comparação com fontes intermitentes, como solar e eólica ? ou seja, que não geram o tempo todo, ao contrário da nuclear. Cunha afirma que a energia de Angra 3 pode custar 1% de aumento na tarifa do consumidor em períodos de chuva e uma economia de 3% em período seco ? quando haveria a necessidade de ligar usinas termelétricas a gás natural ou carvão. Lula assina medida provisória que visa diminuir valor das contas de luz; especialistas veem riscos de efeito contrário no futuro Decisão do TCU Na quarta-feira (10), o TCU determinou que o governo considere o impacto da contratação da usina nuclear de Angra 3 na conta de luz, apontando um aumento médio de 2,9% nas tarifas. O Tribunal cita estudos da EPE e da Aneel. Segundo o relator do processo, ministro Jorge Oliveira, as simulações da EPE apontaram custo médio de R$ 43 bilhões, mas outros cenários apontam para despesas de até R$ 77 bilhões, pagas pelos consumidores. "Independentemente de potenciais externalidades positivas do empreendimento para a política nuclear nacional, os encargos aos consumidores serão muito mais altos em caso de continuidade da construção de Angra 3 do que de abandono do Projeto", disse Oliveira.
12 Abr 2024

Milei se encontra com Elon Musk e oferece apoio para o bilionário em investigações do STF no Brasil


Não ficou claro como esse apoio poderia acontecer. Após ameaças de Musk, dono da plataforma X, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, Moraes solicitou a investigação do bilionário pela Justiça brasileira. Milei se encontra com Elon Musk em 12 de abril de 2024. Reprodução/redes sociais O presidente da Argentina, Javier Milei, e o dono da rede social X (antigo Twitter), Elon Musk, se encontraram no Texas, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (12). Milei ofereceu apoio a Musk nos processos da Justiça brasileira em que o bilionário está sendo investigado, disse o porta-voz do presidente argentino, Manuel Adorni. (Leia mais abaixo) Não ficou claro como esse apoio de Milei a Elon Musk poderia acontecer. ? Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Nos últimos dias, Elon Musk teve desavenças com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nas redes sociais, em que o bilionário dono do X utilizou sua plataforma para atacar Moraes e ameaçar reativar contas desativadas em processos movidos pelo tribunal. Segundo Adorni, Milei e Musk também prometeram trabalhar juntos para promover soluções de livre mercado. Após ameaças de Musk a Moraes, o ministro determinou a investigação do bilionário americano e ordenou que a rede X não desobedeça a ordens judiciais dadas pelo STF. (Leia mais abaixo) Saiba quem é Elon Musk, bilionário americano dono da rede social X Relembre o histórico do embate entre Musk e Judiciário brasileiro Ataques a Moraes Desde o último domingo (7), Elon Musk vem atacando Alexandre de Moraes e ameaçando reativar perfis de usuários bloqueados na rede social X pela Justiça brasileira no âmbito de dois inquéritos que Moraes é relator no STF: o das milícias digitais: que investiga ações orquestradas nas redes para disseminar informações falsas e discurso de ódio, com o objetivo de minar as instituições e a democracia. o do 8 de janeiro: que investiga a tentativa de golpe no Brasil por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Por que você está exigindo tanta censura no Brasil?", questionou Musk, em inglês. No curso das apurações dos inquéritos, ao longo dos últimos anos, Moraes determinou que as redes sociais bloqueassem a conta de alguns investigados. De acordo com o ministro, eles usavam as plataformas para o cometimento das práticas irregulares, que estão sendo investigadas. Investigação Após as ameaças e ataques de Elon Musk a Alexandre de Moraes, o ministro do STF determinou que a conduta do empresário seja investigada em novo inquérito. Moraes também incluiu Musk entre os investigados no inquérito já existente das milícias digitais. O ministro ordenou ainda que a rede X não desobedeça a nenhuma ordem da Justiça brasileira. E estipulou multa de R$ 100 mil para cada perfil que seja reativado irregularmente. Para investigar Musk, Moraes afirmou que viu indícios de obstrução de Justiça e incitação ao crime nas atitudes do bilionário nos últimos dias. A Polícia Federal deve ouvir representantes no Brasil da rede X nos próximos dias. LEIA TAMBÉM: Ameaça de Irã atacar Israel é 'real', diz Casa Branca; países orientam cidadãos a não viajar para a região Após pacto, idosa de 80 anos guarda cadáver de amiga em maleta por 1 ano no Chile Príncipe William faz primeira aparição pública desde anúncio de câncer da princesa Kate Javier Milei, presidente da Argentina, se encontrou com Elon Musk, dono do X (antigo Twitter) no Texas, Estados Unidos, em 12 de abril de 2024. Reprodução/redes sociais
12 Abr 2024

Italiano e cão farejador caçam trufa branca que pode custar R$ 54 mil o quilo; veja VÍDEO

Fungo tem sabor forte e é muito usado na alta gastronomia. Na Itália, alguns caçadores usam veneno para matar os cães farejadores de seus concorrentes. Por isso, os locais onde as trufas são encontradas permanecem em segredo. Trufa: o ouro branco italiano O italiano Michele Filosi e seu cão, Argo, são caçadores de um fungo raro e muito valioso: a trufa branca italiana, que pode custar R$ 54 mil o quilo (veja detalhes no vídeo acima). Além de ser um amigo fiel para Filosi, Argo é fundamental para encontrar as trufas, que ficam escondidas debaixo da terra. Com sua habilidade apurada, ele as encontra com facilidade e contribui para evitar danos durante a busca. Se for danificada, a trufa pode perder até metade de seu valor no mercado. Na Itália, alguns caçadores usam veneno para matar os cães farejadores de seus concorrentes. Por isso, os locais exatos onde as trufas são achadas permanecem em segredo. Filosi vende parte das trufas que encontra, o restante vai para o restaurante de seu irmão. Nem mesmo a família sabe onde ele e seu cão encontram o alimento. ?O que é trufa branca? A trufa branca é rara e cara porque é difícil de achar, além de aparecer em alguns poucos países do mundo, entre eles, a Itália. Elas ficam escondidas debaixo da terra e são caçadas por profissionais, sempre com ajuda de cães farejadores. Este tipo de trufa é conhecido por seu aroma intenso e forte sabor. É um ingrediente muito usado na alta gastronomia e é frequentemente faz parte de pratos de massas e risotos. Leia também: Por que preço do leite desabou, mas queijo e manteiga continuam caros? De onde vem a tapioca, o acarajé e a feijoada? Teste seus conhecimentos no quiz Livro mostra mais de 100 receitas com pinhão: tem farofa, estrogonofes, pudins e bolos Veja a série de vídeos do "De onde vem o que eu como": De onde vem o que eu como: baunilha De onde vem o Maracujá De onde vem o que eu como: flores comestíveis
12 Abr 2024

Governo cria comissão para propor reforma na administração pública


Objetivo é promover 'modernização' do serviço público com a alteração de um decreto publicado há mais de 50 anos. Ministra da Gestão evita uso do termo 'reforma administrativa'. Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck Rovena Rosa/Agência Brasil A Advocacia-Geral da União (AGU) criou nesta sexta-feira (12) uma comissão para elaborar uma proposta de mudanças na organização da administração federal e estabelecer parâmetros para uma reforma administrativa. A comissão, que será formada por membros da AGU e do Ministério da Gestão e Inovação, tem um prazo para a apresentação de um relatório final em 12 meses a partir da data de sua instalação. Segundo o Ministério da Gestão, entre os objetivos do grupo está o de tornar a legislação "compatível" com a Constituição e promover uma 'modernização' do serviço público. O decreto que o governo pretende alterar foi publicado há 57 anos. Esther Dweck, ministra da Gestão, evita usar o termo "reforma administrativa" para se referir à iniciativa. "A gente não gosta desse termo pois é carregado pela visão que teria que reduzir o Estado. Na nossa visão, não é tão verdadeiro. A gente tem que ter um estado necessário para cumprir aquilo que a população exige da gente", declarou Esther. A reforma administrativa é apontada por economistas como importante para melhorar a qualidade dos gastos públicos, que estão limitados, no máximo, a 2,5% ao ano de alta real pelo arcabouço fiscal, a nova regra para as contas públicas aprovada no ano passado. Os gastos com servidores do governo federal estão estimados em R$ 380 bilhões em 2024, ou 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). É a segunda maior despesa primária do governo, perdendo apenas para a Previdência Social (R$ 913 bilhões, ou 8% do PIB). Estudo divulgado em 2020 mostra que o Brasil gastou 13,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no ano anterior, cerca de R$ 930 bilhões, com servidores públicos federais, estaduais a municipais. O Brasil era, naquele momento, o 7º país que mais gastava com servidores. Os reajustes de servidores foram contidos na gestão Bolsonaro. No início do governo Lula, foram retomados, com o aumento linear de 9% no ano passado. Neste ano, servidores negociam com o governo e pressionam por novos reajustes. Em 2020, a equipe econômica chefiada por Paulo Guedes propôs uma reforma administrativa, com mudanças em leis, somente para futuros servidores, propondo o fim do regime jurídico único da União, com possibilidade de outras formas de vínculo, e o término dos chamados "penduricalhos". A estimativa, naquele momento, era de uma economia de R$ 300 bilhões de gastos em dez anos. Veja comentário de Gerson Camarotti sobre Reforma Administrativa Ministra é contra reforma 'punitivista' Em entrevista ao programa "Bom dia, ministra" nesta quinta-feira (12), a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirmou que não concorda com a proposta de reforma administrativa do governo do presidente Jair Bolsonaro. "Tanto pela visão que ela tem um caráter punitivista dos servidores, mas principalmente de precarização do serviço público, aumento da privatização. E afeta um instrumento, que para a gente é muito importante que é a questão da estabilidade", declarou a ministra Esther Dweck, na ocasião. Na reforma da equipe de Guedes, no governo Bolsonaro, a proposta era do fim da estabilidade para parte de novos servidores. Naquele momento, o governo também buscava regulamentar demissão de servidores por "baixo desempenho". Segundo a ministra da Gestão, Esther Dweck, a estabilidade dos servidores públicos protege o Estado brasileiro. "Permite que os servidores tenham tranquilidade para fazer seu serviço. Para eles poderem fazer o que precisa ser feito, independente da orientação política", disse. Ela afirmou, ainda, que as mudanças na administração pública não precisam, necessariamente, ser implementadas por meio de Proposta de Emenda Constitucional -- que altera a Constituição. "Estamos trabalhando, a maior parte disso não depende nem de medidas legais, muito menos constitucionais. Fiz muita coisa por atos infralegais, decretos do presidente, portarias minhas, instruções normativas", disse Dweck. Acrescentou que algumas medidas, como a nova lei de cotas, precisam passar pelo Legislativo. "Temos vários projetos que seriam importantes para a reforma do Estado brasileiro melhorar a capacidade de entrega para a população", afirmou a ministra. De acordo com a ministra, há três grandes áreas de atuação do governo com foco em mudanças na administração pública. São elas: Gestão de pessoas: Dweck afirmou que o Concurso Nacional Unificado é um "grande instrumento" de reforma administrativa, pois aumenta a diversidade no serviço público e inclui pessoas com "capacidade de pensar em políticas públicas". Restruturação de carreiras: a ministra disse que seria importante "alongar" as carreiras, ou seja, que os servidores demorem mais para chegar ao topo da carreira, que conta com salários maiores, e também para "ter outros critérios de progressão". Esse item também foi proposto pela equipe de Guedes, em 2020. Transformação digital e organizacional: Dweck declarou que a transformação digital, também foco da equipe de Guedes no governo Bolsonaro, tem um "potencial enorme" de acelerar processos e "facilitar a vida do cidadão". Disse, ainda, que o governo está atuando para "repensar" as organizações dentro do setor público.
12 Abr 2024

Dólar tem nova alta e fecha em R$ 5,12, com juros dos EUA no radar; Ibovespa cai


A moeda norte-americana avançou 0,61%, cotada em R$ 5,1212, renovando o maior patamar em seis meses. Na semana, acumulou alta de 1,11%. Já o principal índice acionário da bolsa brasileira operava em queda nos últimos minutos do pregão. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik O dólar engatou a 3ª alta consecutiva nesta sexta-feira (12) e encerrou a semana acima dos R$ 5,10 pela primeira vez em seis meses. O movimento foi impulsionado pela maior busca por proteção ao risco, em meio a uma nova onda de cautela em relação aos juros norte-americanos. Após os Estados Unidos reportarem novas altas na inflação ao produtor e ao consumidor nesta semana, investidores seguem na expectativa por novos sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Assim, a participação de dirigentes da instituição em eventos ao longo do dia também ficou sob os holofotes, bem como o início da temporada de balanços corporativos nos EUA. Por aqui, as atenções ficam direcionadas para os dados de serviços de fevereiro e para a reunião trimestral do Banco Central do Brasil (BC) com economistas. O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, operava em queda nos últimos minutos do pregão. Roberto Campos Neto, sobre inflação: "Tivemos uma notícia boa local, e uma ruim no cenário externo" Veja abaixo o resumo dos mercados. Dólar Ao final da sessão, o dólar avançou 0,61%, cotado em R$ 5,1212. Na máxima, alcançou os R$ 5,1477. Veja mais cotações. Com o resultado, acumula altas de: 1,11% na semana; 2,11% no mês; e 5,54% no ano. Na véspera, a moeda norte-americana avançou 0,25%, cotada em R$ 5,090. Ibovespa Já o Ibovespa operava em queda nos últimos minutos da sessão. Na quinta-feira, encerrou em queda de 0,51%, aos 127.396 pontos. Com o resultado, acumula: alta de 0,48% na semana; queda de 0,55% no mês; e recuo de 5,06% no ano. Entenda o que faz o dólar subir ou descer DINHEIRO OU CARTÃO? Qual a melhor forma de levar dólares em viagens? DÓLAR: Qual o melhor momento para comprar a moeda? O que está mexendo com os mercados? A agenda recheada de indicadores de preços movimentou os mercados ao longo desta semana. Os principais destaques ficaram com os índices de inflação ao produtor e ao consumidor dos Estados Unidos, que voltaram a subir no mês passado. Ontem, por exemplo, o índice de preços ao produtor norte-americano, divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA, registrou um aumento de 0,2% em março, após uma alta de 0,6% em fevereiro. O número veio ligeiramente abaixo do esperado por economistas consultados pela Reuters, que previam um avanço de 0,3%. Já o índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI, na sigla em inglês), divulgado na quarta-feira, acelerou e chegou a 3,5% em março, contra 3,2% registrados em fevereiro e acima das expectativas de mercado. Os números aumentam os temores de que o Fed pode demorar mais a iniciar o ciclo de corte de juros no país. O banco central dos EUA tem uma meta de inflação de 2% e, após o crescimento de empregos mais forte do que o esperado em março, bem como a queda da taxa de desemprego de 3,9% em fevereiro para 3,8%, alguns economistas adiaram as expectativas de corte dos juros para julho. Depois dos indicadores, os mercados financeiros viam uma probabilidade de aproximadamente 84,8% de o Fed manter os juros em sua reunião de política monetária de 11 e 12 de junho, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME. Diante desse cenário, a participação de dirigentes do Fed em eventos ao longo do dia também acabou na mira dos investidores. Nesta sexta-feira (12), o presidente da distrital da instituição em Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que as leituras de inflação continuam altas e "são preocupantes", mas reiterou que o índice PCE, o indicador de inflação preferido do Fed, continua a se comportar. "Se começarmos a ter leituras melhores que nos mostrem que o arco da inflação está caindo, isso nos fará sentir muito melhor sobre onde estamos. Se o PCE estiver reinflando -- estabilizaremos os preços", afirmou em evento. A próxima divulgação do PCE será em 26 de abril. Corroborando esse cenário, as autoridades do Fed também se mostraram preocupadas com uma eventual estagnação de controle da inflação e afirmou, na última ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) que teme que seja necessário um período mais longo de política monetária restritiva para controlar o ritmo dos aumentos de preços. "De modo geral, os participantes destacaram sua incerteza quanto à persistência da inflação elevada e expressaram a opinião de que dados recentes não haviam aumentado sua confiança de que a inflação esteja se movendo de forma sustentável para 2%", disse a ata da última reunião do Fed, também divulgada na última quarta-feira. As autoridades do Fed estão debatendo se o maior risco é que a política monetária permaneça muito apertada por muito tempo ou que o corte de juros aconteça muito cedo e não consiga fazer com que a inflação retorne à sua meta de 2%. Ainda no exterior, o início da temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos também ficou no radar. Na Europa, as indicações de que o Banco Central Europeu (BCE) deve iniciar o ciclo de cortes de juros em breve ainda continou na mira dos investidores, bem como dados de atividade do Reino Unido e da China. Já no Brasil, o noticiário corporativo envolvendo a Petrobras continua sob os holofotes, após um juiz federal de São Paulo decidir suspender do cargo o presidente do conselho de administração da estatal, Pietro Mendes, na véspera. Segundo o Blog do Valdo Cruz, a decisão do magistrado acolheu uma ação movida pelo deputado estadual Leonardo Siqueira Lima (Novo-SP), pro entender que há conflito de interesses no fato de Mendes ocupar o cargo no conselho, uma vez que ele também é secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia. Em nota, a Petrobras informou que vai recorrer da decisão. O atual cenário da petroleira vem menos de uma semana após os rumores de que o presidente da estatal, Jean Paul Prates, poderia ser demitido da companhia e substituído pelo atual presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Apesar das especulações, no entanto, o Blog da Julia Duailibi indicou que a permanência de Prates no comando da estatal ganhou força após duas reuniões feitas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Além disso, os debates sobre uma eventual redução do preço da energia elétrica também seguem no radar, após Lula ter pedido, na última quarta-feira, a apresentação de um novo programa energético ainda este ano para reduzir de forma estrutural o preço das tarifas de energia, segundo apurado pelo g1. O presidente chegou a se reunir com representantes do setor elétrico, do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Casa Civil. Na pauta: a redução das tarifas. Como resultado da reunião, o MME ficou responsável por liderar um grupo de trabalho para elaborar uma proposta estrutural para o setor até o fim de 2024. Entre os indicadores da semana, o destaque ficou com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na quarta-feira. A inflação oficial do país mostrou que os preços subiram 0,16% em março, abaixo das expectativas do mercado financeiro. O maior impacto do mês veio novamente do grupo Alimentação e bebidas, com alta de 0,53% e peso de 0,11 ponto percentual (p.p.) no índice geral. Mas é uma variação mensal menor que fevereiro, quando os preços do grupo haviam subido 0,93%. Para o mercado financeiro, a inflação veio bem abaixo da projeção, mas ainda não afasta a preocupação com a inflação de serviços. Os serviços subjacentes, um núcleo focado em serviços e que exclui itens mais voláteis, teve alta levemente mais forte que o mês anterior, de 0,44% para 0,45%. "O ponto de preocupação continua sendo os serviços subjacentes, que, ao se manterem praticamente estáveis, continuam em um patamar incompatível com as metas de inflação ? e deverão continuar justificando a cautela do Banco Central", diz Helena Veronese, economista-chefe da B. Side. Já nesta sexta-feira (12), novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicaram que o volume de serviços no Brasil voltou a contrair em fevereiro, interrompendo três meses consecutivos de ganhos. Segundo o instituto, houve uma queda de 0,9% do indicador no mês, resultado bem aquém da expectativa do mercado, de alta de 0,2%. *Com informações da agência de notícias Reuters.
12 Abr 2024

El Niño x La Niña: entenda como a mudança de fenômeno pode impactar a inflação no Brasil


Apesar de ser uma preocupação, o La Niña não deve trazer reflexos tão severos neste ano, apontam especialistas ouvidos pelo g1. Principal temor é que o fenômeno provoque longos períodos de seca, esvaziando reservatórios e elevando os custos com energia elétrica. Especialistas acreditam que La Niña não deve trazer reflexos tão severos nos preços dos alimentos este ano. Adriana Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo o Além do noticiário climático, o El Niño ganhou protagonismo também nas últimas divulgações da inflação oficial do Brasil. O regime mais intenso de calor e chuvas provocado pelo fenômeno prejudicou parte da safra de alimentos in natura, o que fez os preços nos supermercados dispararem. A previsão é que, neste mês, o El Niño chegue à sua fase final. Mas outro evento climático começa a entrar em cena: o La Niña. A chegada do novo fenômeno está prevista para acontecer a partir de agosto deste ano. Em resumo, o La Niña é conhecido por inverter a região de predomínio de secas e chuvas em relação ao El Niño. ?? Para entender melhor: O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico em 0,5ºC ou mais. Ele costuma levar chuvas intensas ao Sul do Brasil e provocar seca na região Norte. O La Niña acontece quando o Pacífico está ao menos 0,5ºC abaixo da média histórica, trazendo o resultado inverso: chuvas intensas no Norte e Nordeste e estiagem na região Sul. Economistas ouvidos pelo g1, contudo, trazem o alento de que a expectativa inicial é que os reflexos do La Niña sobre os preços sejam menos prejudiciais do que suas versões anteriores. O registro mais recente do La Niña durou três anos (2020-2023) e, conforme mostrou o g1, causou fortes impactos na produção agropecuária. O resultado foi percebido no bolso do consumidor com o aumento dos custos no campo e a consequente pressão sobre a inflação. A falta de chuvas resultou, inclusive, na declaração de emergência por municípios localizados no Centro-Sul do país ? região que concentra as principais produções rurais ?, com reflexos em alimentos como milho, soja, frango, feijão, leite e carne bovina. A estiagem, característica histórica do La Niña, também pode causar um aumento generalizado nos custos de energia elétrica, apontam especialistas. Isso devido à diminuição do volume de água nas represas e à consequente redução da produção de energia nas hidrelétricas. O receio é justamente em relação ao Centro-Sul, que concentra cerca de 70% da capacidade de armazenamento de água do país. Apesar dos temores baseados no histórico do fenômeno, entretanto, o que se espera para este ano é um La Niña menos prejudicial tanto para as lavouras quanto para os reservatórios, com reflexos mais leves sobre os preços para o produtor e o consumidor final ao longo de 2024. O cenário menos pessimista ganhou força com a crença de que o evento climático deve ter uma transição mais suave, com maior probabilidade de ocorrer só a partir de agosto. Além disso, o período recente de chuvas ajudou na umidificação do solo e na manutenção dos reservatórios, aliviando o caminho para os próximos meses. As boas condições de produção em outros países ? como a vizinha Argentina ? também ajudaram nessa equação, colaborando com o controle dos preços de commodities como soja e milho. Diante desses e outros fatores econômicos, a previsão para este ano é de uma inflação de alimentos ainda controlada, inclusive com um processo de deflação (queda nos preços) para essa categoria entre maio e setembro, segundo projeção da Warren Investimentos. LEIA MAIS Entenda como o contraste climático afeta produtores rurais IPCA: o que houve com o preço dos alimentos ? e por que a angústia dos economistas é outra IPCA: preços sobem 0,16% em março, com alta de alimentos mais branda Balanço do El Niño O último registro do El Niño havia sido oito anos atrás, entre 2015 e 2016. O fenômeno costuma preocupar a produção agrícola global. Mas, em alguns casos, as perdas de alimentos cultivados em determinadas partes do mundo podem ser compensadas pelo aumento da produção em outras regiões, dadas as condições climáticas distintas que sofrem com o fenômeno. "Em geral, o El Niño é ruim para o nosso Centro-Oeste, para a Austrália, para a Índia. E, de fato, nós vimos diversos acontecimentos nesse sentido, como a quebra da nossa safra de grãos", explica Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro. "As chuvas tardias, por outro lado, ajudaram a aliviar." Em 2023, o mercado esperava um El Niño com impactos "muito mais fortes" do que o registrado. Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, afirma que as projeções eram de uma versão semelhante à de 2015 e 2016, quando o fenômeno causou "efeitos devastadores" nos preços de alimentos. "Embora o El Niño atual tenha sido classificado climatologicamente como forte, o efeito dele foi pequeno quando observamos os reflexos na inflação", diz. "Nós estamos vindo de algumas safras recordes de grãos. Além disso, o fenômeno foi muito benéfico para a Argentina. Então, o que quebrou ou prejudicou safra por aqui, o país vizinho mais que supriu a oferta." Ao mesmo tempo, a economia mundial observou uma desaceleração do consumo na China. Com a queda na demanda de um parceiro comercial tão importante, o resultado foi uma sobra maior de produtos no Brasil, ajudando a equilibrar os preços por aqui, explica Andréa. Apesar dos impactos mais suaves no índice geral, algumas altas passaram a pressionar os preços no subgrupo Alimentação no domicílio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE). Os dados mostram aumentos importantes nos preços a partir de outubro de 2023, sendo que as maiores altas foram sentidas nos lares brasileiros entre dezembro e fevereiro, conforme as variações a baixo: Entre os vilões da elevação do índice, estão os alimentos in natura, como hortaliças, legumes e frutas, tradicionalmente mais atingidos nessa época do ano devido a fatores climáticos. "Entre janeiro e fevereiro, a inflação no domicílio acumula quase 3% de alta. Apesar de comuns nesse período do ano, as altas foram muito maiores do que o sugerido pela sazonalidade. Então, isso é o El Niño", explica Andréa, da Warren. A expectativa da Warren é que o subgrupo de Alimentação no domicílio do IPCA encerre 2024 com inflação de 4,8%. Já para o índice geral de preços, a projeção é de variação de 3,85% no ano. O efeito do El Niño no aumento de preço dos alimentos Período de transição Para Gabriel Pestana, analista econômico da Genial Investimentos, a curta duração do El Niño ajudou a amenizar os reflexos do fenômeno. "O balanço dos impactos do El Niño é negativo. Mas esperávamos que fosse muito pior. O rápido arrefecimento do evento climático foi, de fato, uma boa notícia", afirma. O fenômeno começou a perder força em abril deste ano, conforme apontam órgãos internacionais de monitoramento climático. A instituição norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), por exemplo, aponta que a probabilidade de o El Niño ocorrer no trimestre a partir de maio é de 7%, caindo a menos de 5% nos trimestres móveis seguintes. A projeção também mostra a predominância de um cenário de neutralidade entre abril e julho. Enquanto isso, o La Niña ganha mais espaço a partir do segundo semestre, com chances de 60% de ocorrer entre julho e setembro e de 74% entre setembro e novembro. (veja no gráfico abaixo) A previsão, claro, pode sofrer alterações. Mas o cenário que se desenha é o de uma mudança suave, com uma transição ancorada, por meses, em um período de neutralidade ? ou seja, temperatura nem acima nem abaixo da média no Oceano Pacífico. "Essa projeção já aparece também nos mapas climáticos. Em setembro, era para começar a vir chuva, para iniciar o plantio. Mas cadê as chuvas? Não estão nas previsões. Ou seja, isso é a cara do La Niña", explica Felippe Serigati, do FGV Agro. As altas chances de fortalecimento do fenômeno em outubro deixou, inclusive, agricultores argentinos em alerta, conforme relatório publicado em março pela bolsa de grãos de Rosário. O país é um dos maiores exportadores de grãos do mundo. Possíveis secas provocadas pelo La Niña no fim do ano afetariam parte da safra de trigo e o plantio de milho e soja para a próxima safra 2024/25. ?A informação é preocupante?, informou a bolsa. La Niña e seus reflexos no campo Com base nos registros históricos do La Niña, a previsão é que, quando efetivamente em vigor, o fenômeno leve chuvas acima da média às regiões Norte e Nordeste do Brasil e cause seca no Centro-Sul. Levando em conta a safra já em vigor e o período de transição entre os fenômenos, os impactos nas produções agrícolas do Brasil tendem a ser moderados este ano, conforme aponta Serigati, da FGV Agro. A análise do especialista para algumas safras 2023/24 é: Soja: Produção menor, mas sem reflexos nos preços, já que a Argentina está com uma boa safra. Milho: Possíveis perdas, mas de uma forma moderada, tendo em vista que muitos produtores plantaram antecipadamente. Além disso, a Argentina vem tendo bons resultados e os Estados Unidos também têm chances de uma boa safra. Açúcar: A safra atual de cana-de-açúcar não foi muito afetada, e o La Niña tende a favorecer essa cultura. Arroz: Em nível global, a produção de arroz não tende a ser prejudicada pelo La Niña. No Brasil, no entanto, os efeitos podem ser negativos, devido à sua cultura ser concentrada no Rio Grande do Sul. Feijão: O grão é produzido em diversas regiões do país, com destaque para o Paraná, Goiás e Bahia. Isso significa possíveis maiores perdas no Paraná, mas produtividade maior em Goiás e na Bahia. "Chuvas demais ou secas tendem a gerar perdas e, portanto, custo maior na produção de alimentos, incluindo cereais, leguminosas, oleaginosas, tubérculos e frutas. Os preços das carnes também sentem os reflexos, já que a ração fica mais cara", explica Gabriel Pestana, da Genial Investimentos. Apesar de previsão de enfraquecimento, efeitos do El Niño devem ser sentidos até abril E os preços nos supermercados? Apesar dos diferentes impactos para cada produção agrícola, a expectativa é de deflação (queda nos preços) para o subgrupo de Alimentação no domicílio do IPCA nos próximos meses. A projeção é da Warren Investimentos, que aponta preços mais baixos já a partir de maio ? em especial para os que subiram muito no último trimestre. Segundo a estimativa, as quedas devem ser registradas mês a mês, até setembro. Os cálculos valem, claro, desde que as condições climáticas e econômicas sigam os rumos já esperados. A previsão para a janela de maio a setembro, segundo a Warren, é a seguinte: Deflação de 1,60% no grupo de alimentação no domicílio; Deflação de mais de 20% entre os tubérculos (batata, mandioca, cenoura e afins); Deflação de 1% nas frutas; Deflação de 15% nas hortaliças folhosas; Deflação entre 2% e 2,5% nas carnes; Deflação de 4,5% no grupo das carnes com a inclusão de ovos. Estiagem e custo de energia elétrica Enquanto os preços dos alimentos deixam de ser uma grande preocupação para este ano, a chegada do La Niña também acende um alerta para possíveis reflexos nas contas de energia elétrica e no abastecimento de água. O receio é justamente que os períodos de seca ganhem força no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul do país, regiões que concentram 70% dos reservatórios em território nacional, afirma Gabriel Pestana, da Genial Investimentos. "Esse é outro fator que torna o La Niña um pouco mais preocupante do que o El Niño em termos de impactos", diz. "Se temos reservatórios mais vazios, fica mais caro produzir energia elétrica ? categoria que pesa bastante no IPCA ?, podendo exercer uma pressão importante sobre o índice." Esse também é um alerta destacado por Andréa Angelo, da Warren Investimentos. Ela aponta efeitos secundários na inflação, com possíveis reflexos no setor de serviços ? o que mais emprega no país e representa 70% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "O preço muito elevado de energia acaba encarecendo os serviços depois de algum tempo, já que os custos tendem a ser repassados ao consumidor. Além disso, uma possível alta na conta de luz pode afetar, por exemplo, os preços dos eletroeletrônicos. Então, caso a gente tenha um La Niña mais forte com reflexos na energia, bens industriais e até de vestuário podem ficar mais caros", explica. Com base nas previsões disponíveis até o momento, espera-se que os maiores impactos do fenômeno nos preços fiquem para o início de 2025, em caso de estiagem mais severa no Brasil no último trimestre deste ano. "Inclusive, o Operador Nacional do Sistema Elétrico [ONS] já informou que está em alerta e gerenciando os sistemas hídricos. A atenção é para que a gente entre em 2025 em uma situação diferente do que foi 2021, quando tivemos crise hídrica", conclui a especialista.
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